O horror social na obra de Daniel Bandeira.
Este artigo investiga o papel do som na construção do horror social nos filmes de Daniel Bandeira, com foco em A Menina do Algodão (2002), Amigos de Risco (2007) e Propriedade (2022). Parte-se da compreensão de que o horror social, mais do que provocar sustos imediatos, reflete ansiedades coletivas e expõe desigualdades que atravessam o cotidiano brasileiro. Em A Menina do Algodão, o uso minimalista de sons e silêncios cria tensão ao manter a ameaça indefinida, levando o público a imaginar sua origem e intensidade. Em Amigos de Risco, a paisagem sonora das ruas noturnas do Recife, marcada por vozes, trânsito, bares e o eco da violência urbana, não apenas ambienta a narrativa, mas transmite a sensação de vulnerabilidade dos personagens diante de uma cidade hostil. Já em Propriedade, o ponto de audição (POA) aproxima o espectador da escuta da protagonista, mergulhando-o em sua experiência subjetiva de medo e no confronto simbólico entre classes sociais. A análise demonstra que, em todos os casos, o som ultrapassa a função de acompanhamento da imagem: ele constrói atmosferas, provoca sensações e traduz conflitos sociais em experiência sensorial. A dimensão sonora nos filmes de Bandeira é central para a imersão do público e para consolidar um horror social brasileiro que combina estética, política e reflexão crítica sobre a realidade.