O cinema brasileiro no Festival de Cannes (1949-2017): políticas de internacionalização e abertura de mercado.
Esta pesquisa investiga as políticas cinematográficas voltadas para a difusão e a promoção dos filmes no Festival de Cannes por meio de um estudo comparativo, no período de 1949 a 2017. Para isso, realiza um levantamento dos longas-metragens majoritários brasileiros selecionados para a Competição Oficial e as mostras paralelas. Parte do pressuposto de que o Festival de Cannes é a arena dos principais cineastas internacionais e cuja recepção e eventual premiação determinará a carreira não apenas do seu realizador, mas também da própria obra, visto que essa vitrine poderá abrir ou fechar as portas para exibições em outros festivais menores e no circuito comercial de salas, no Brasil e no exterior. A partir do mapeamento dos filmes, da pesquisa historiográfica e de entrevistas com agentes do setor, busca compreender em quais momentos existiram políticas de internacionalização que apoiaram a seleção, a promoção e a difusão no festival; quais eram as condições desse apoio; e como os cineastas chegavam ao festival quando não havia um suporte oficial. Ao mesmo tempo, analisa o impacto das transformações tecnológicas nos filmes escolhidos, a recepção da imprensa francesa e as dinâmicas dos agentes do mercado no Marché du Film. Nesse contexto, verificou-se que, apesar dos esforços e do discurso oficial, tais políticas (quando existiram) não foram suficientes para contribuir de forma efetiva para o avanço desse processo, com exceção de alguns períodos pontuais.