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A telona e a telinha: encontros e desencontros entre cinema e televisão no Brasil.

O trabalho investiga os encontros e desencontros entre cinema e televisão no Brasil atentado para as disputas, tensões, negociações, sincronias e potencialidades entre os meios. O fio condutor que conduz a investigação é a hipótese que os anos 2000 houve uma reinvenção do espaço audiovisual brasileiro, baseada na articulação entre cinema e televisão, para conformação de um projeto integrado de indústria audiovisual nacional. Contudo, é importante destacar que o processo de formação do cinema e da televisão no Brasil é herdeiro da circularidade cultural e artística, no qual circulavam referências e repertórios da cultura erudita e cultura popular desde seus primórdios. O marco da segregação na forma de distinção cultural - atribuindo ao cinema questões artísticas e relegando à televisão a função de entreter - são os anos 1960/70, momento de especialização diante da ampliação do mercado de bens culturais no país. A tradição discursiva de separação entre cinema e televisão se perpetuou até os anos 1990 nas instancias da crítica, das falas de legitimação, nos tratamentos institucionais de políticas públicas, nos modos próprios de fazer, produzir, distribuir e exibir. Os anos 2000 sinalizam uma transição política no espaço audiovisual que exige repensar as concepções historicamente estabelecidas. As experiências de circularidade entre cinema e televisão evidenciam o processo de deslocamento, interface e alargamento de ronteiras como estratégia de sobrevivência diante da cultura do consumo e da convergência. Mais do que um projeto resolvido e acabado, a convergência brasileira se evidencia, principalmente, em três dimensões interdependentes: o trânsito de profissionais, hoje, assumido e positivado; as cadeias e circuitos produtivos e as novas políticas públicas de integração entre os meios. Existe uma transição em curso que nos confronta com a necessidade de repensar concepções historicamente estabelecidas acerca do audiovisual no Brasil.

Autoria
Lia Bahia
Instituição
UFF
Ano
2014
Fonte
RIUFF