A cidade e o campo no nuevo cine argentino: Mundo grua (1999) e a obra de Pablo Trapero.
Este artigo questiona as presenças da cidade e do campo no nuevo cine argentino e, em particular, no filme Mundo grua, de Pablo Trapero. Acompanhando uma das tendências do período, nas obras do diretor nota-se uma reformulação de tais espaços, gradualmente associada a uma ênfase aos interstícios da sociedade. Após debater as noções de cidade e campo nas ciências humanas e no nuevo cine, sua configuração em Mundo grua será analisada em sintonia com a noção de paisagem, que abrange as relações estabelecidas entre personagens e espaços, bem como a coexistência de referenciais narrativos em práticas de fronteira. No filme em questão, nota-se um cotejo particular entre a tendência documentarizante, os fragmentos do road movie e uma construção criativa de não lugares, que aqui colaboram para a união da cidade e do campo como espaços de exploração do operário, com algum vislumbre utópico.